Resenha sobre o Filme ‘Yesterday (2019)’ (PARTE 3)

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E principalmente, a narrativa busca levar o protagonista a se redescobrir através do valor artístico de tais obras. Afinal de contas, para quem ele queria fazer arte? Ou melhor, de um modo geral, para quem serve a arte? Para o artista ou para o público? Presumimos que, para os dois, né? Quando a obra é poderosa e/ou valiosa para o mundo, nada mais justo que as mentes que a conceberam sejam devidamente reconhecidas e recompensados, ou, que o terceiro plagiador não tome os créditos para si, né? Mas, o roteiro, sapecamente, “complica” ao criar vários “e ses” mágicos do cinema sobre a natureza do tal plágio que mexem com o julgamento do espectador. Começando com o fato de que, o grande plagiador da bagaça é o protagonista da história. Podemos naturalmente torcer para ele porque ele é o nosso representante na tela, e pelo histórico de vida ele parece merecedor, mas é importante lembrar que, ele não tem um grande talento em composição já que nunca compôs nada que entusiasmasse alguém além dos seus amigos mais íntimos.

Então, ser reconhecido como um grande compositor parece meio injusto, mas não seria injusto porque ele se esforça muito para lembrar das músicas e tem talento para performar, além de ser muito, muito, muito apaixonado pela música. Mas, ele não está dando os créditos aos verdadeiros autores, mas como ele nem tem como fazer isso nem está prejudicando ninguém, mas, não deixa de ser uma apropriação indevida. E assim, ‘Yesterday’ brinca conosco ao nos levar para lá e para cá, ora nos fazendo acreditar que o protagonista é merecedor do sucesso que está tendo com as obras dos Beatles, ora não, o que é uma forma delicinha para o filme se preencher, pois está sempre nos atiçando com questões em torno da natureza da arte e da ética criativa. E se não der de cara, uma resposta satisfatória, pelo menos deixa uma reflexão inteligente no ar sem precisar mastigar tudo para o espectador.

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