Resenha sobre o Filme ‘Yesterday (2019)’ (PARTE 2)

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O roteiro dá aquela forçadinha de barra com Jack fazendo menções artificiais aos Beatles só para vermos a amiga dele reagir com estranhamento e já ir se preparando, mas acreditamos que seja uma preparação desnecessária, pois, só diminui o impacto e a surpresa da cena em que o Jack toca Yesterday para os amigos; essa cena é comovente, divertida e bastaria para revelar a premissa; assim como, é perfeita para nos convencer da qualidade artística dos Beatles através da reação embasbacada do galerê. Aliás, esse é um grande mérito da narrativa como um todo, até porque, a trama precisa que acreditemos que os Beatles são uma coisa de outro mundo de tão geniais, e tanto o roteiro oferece diálogos que levantam bastante essa bandeira quanto a direção tem um cuidado enorme para guiar a reação de todo o elenco a ouvir as canções pela primeira vez; seja exibindo empolgação, entusiasmo, surpresa comoção, deslumbre ou até mesmo quando um outro compositor se sente inferiorizado diante de tais canções.

No nosso caso, como entendemos de música como um pato entende de frescobol, quando o filme diz que os Beatles estariam pro pop como Shekespeare está para a dramaturgia e Mozart para a música clássica, e que o mundo sem as músicas do quarteto seria um mundo mais triste, só balançamos a cabeça, entortamos a boca e dizemos: “… Olha Só!” – sem a menor desconfiança. Mas, não apenas de vender o peixe da banda, o roteiro e direção entendem. Depois que a premissa é estabelecida, a narrativa se dedica a expandi-la para refletir sobre os valores das músicas avaliando o efeito que elas causam no público, valorizando bastante o processo de recriação das canções através de sequências maneirinhas, com montagens inspiradas, com destaque para aquela na qual Jack tenta se lembrar da letra de Eleanor Rigby, sequência essa na qual a montagem corrigi a imagem sempre que o protagonista corrigi a letra. E, a narrativa também se dedica a ir devagar sobre os significados das letras, e até brinca ao tentar adaptar as alegorias das músicas ao contexto do novo “autor”.

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