Resenha sobre o Filme ‘O Exorcista (1973)’ (PARTE FINAL)

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Afinal de contas, as filmagens acontecem fora de ordem por causa das prioridades de produção. E outra coisa, não existe um medidor do que é mais apavorante do que o que, o medidor é a sensibilidade artística da direção para entender a capacidade de cada ideia, coloca-lá na medida certa e dentro do contexto certo para que possamos ter essa percepção de escada, e não de sobe e desce, ou reta, porque se o filme cair nesses casos pode acabar dando a sensação de repetição, e isso gera a sensação de falta de progressão, e a falta de progressão cansa.


O roteiro oferece o conjunto de ideias que alimenta tudo isso, e o fato do roteirista ter sido o mesmo autor do livro (William Peter Blatty) que deu origem ao filme, pode ter ajudado na coesão, no entanto, achamos realmente que o diferencial de ‘O Exorcista’ foi a direção, porque se mal conduzido, ‘O Exorcista’ tinha um grande risco de fazer rir ou até, em uma hipótese mais amenas, ser encarado com desprezo, já que a criatura pavorosa daqui não surge na tela rapidinho para dar um susto e vai embora, não, o visual completo da Regan possuída aparece ainda faltando uns 45 minutos para o fim do filme, é usado com muita frequência, clareza e intensidade; está lá estampado na tela; a câmera fica e não sai. E notem, que nem assim o seu efeito amedrontador se perde, pois, lembra do que falamos sobre graduação (nos artigos anteriores), então, mesmo que o visual tenha chegado na fase completa, no limite, não tem mais o que passar dali, o terror das cenas continua crescendo em conceito e narrativa também. Além de que, pois é, toda a construção de tom e condução minuciosa que veio antes, alicerçou com solidez o terreno que receberia aspirações sobrenaturais, para que quando elas chegassem pudessem exercer o máximo de choque e os feitos técnicos impressionassem. E,  ainda aí, aparece o bom senso artístico do diretor filtrando as boas ideias e descartando o que não seria tão bem vindo assim.

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