Resenha sobre o Filme ‘O Exorcista (1973)’ (PARTE 3)

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Nada chega fora do tempo; a narrativa se constrói com uma calma bem perspicaz, apresentando os personagens, desenvolvendo os dramas, introduzindo a problemática e intensificando ela sem dar um passo maior do que a perna, de um jeito que nem notamos quando de fato há a ruptura do real para o fantástico, porque tudo parece real. Nisso, enquanto a Regan vai definhando, e a direção vai soltando pistas de que ela tá na verdade se esgotando numa briga contra uma força invasora, os personagens em torno dela também vão se exaurindo psicologicamente; em especial a mãe, que claro, vê as esperanças se esvaindo a cada pessoa que parece chegar com a resposta e vai embora sem ajudar em nada; a busca pelo diagnóstico da menina é incessante mas os problemas só pioram, e aí, quando a resposta finalmente chega, a solução não parece ser possível, então, além do peso desse desgaste ser transmitido com perfeição por uma narrativa triunfal, nós, aqui, também temos uma cota de desgaste própria graças a ironia dramática na situação. “Como assim?”

É que o espectador já tem as informações que os personagens precisam e não tem o que fazer com ela, só podemos ficar se roendo de agonia  e ansiedade enquanto esperamos que os personagens nos alcancem; geralmente essa espera cansa, e costumamos apontar bastante isso aqui, no site, mas aqui não, porque, além de ser um desgaste provocado de forma precisamente intencional – um daqueles vários objetivos do terror que já mencionamos, lembra? – , a espera não é ociosa! Tem sempre alguma coisa acontecendo, e a visão geral da problemática vai se formando aos pouquinhos, sem parar e se intensificando – é o segundo fator que mencionamos no artigo anterior: a graduação.

Primeiro, alguém ouve um barulho incomum mas consegue achar uma explicação racional com facilidade; depois, algo estranho acontece aí não tem certeza se viu o que viu; em seguida, a menina relata coisas esquisitas, mas, pode muito bem ser invencionice dela; então, ela passa a agir meio fora de si, o que também pode ser explicado tecnicamente; porém, isso tudo vai escalando, com as explicações ficando cada vez mais frágeis, até que a presença do sobrenatural se torna incontestável, só que a beleza é que nem assim a escalada para; até a última cena, o terror segue se edificando. Construir uma crescente dessa maneira não é tarefa fácil, não.

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