Resenha sobre o Filme ‘Halloween (2018)’ (PARTE 3)

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Pois bem… do outro lado das conseqüências daquela noite, temos um Michael Myers. Gostamos muito de como o roteiro e a direção têm respeito à figura do personagem, mas também acrescentam novos toques condizentes com: a) a passagem do tempo; b) as marcas da matança, há 40 anos; e, c) adaptação à atualidade. Ao passo que o envelhecimento humaniza, o temor da câmera em encarar o rosto do homem, meio que o transforma numa entidade, que é contraposta pela respiração ofegante, que volta torná-lo humano; que é contraposta, pelo fato dele jamais falar deixando ele sobrenaturalmente imprevisível. O tempo todo pensamos: “O que será que ele está pensando?” “O que será que ele vai fazer agora?” – ou vai dizer que você não pensou nisso naquela cena introdutória? – Só que, a lógica e os critérios deles são mistério, e, isso é ótimo.

Talvez seja muita viagem nossa, mas  mesmo com a forma muda e a máscara, conseguimos detectar certos sentimentos, graças a pequenos toques da direção (David Gordon Green) comandando o ator para dar aquela olhadinha para o lado na cena do bebê sugerindo uma dúvida, micromovimentos em um zoom para indicar uma confusão na cena da janela, ou, ele olhando fixamente de baixo para cima para indicar inferioridade. Claro que os contextos ajudam, mas conseguimos notar que seu sentimento de serviço não finalizado foi se transformando, gradativamente, à insegurança, e que, aos poucos, ele vai percebendo que dessa vez ele é o cassado. No entanto, o vilão voltou à ativa com tudo, e precisou se adaptar aos novos tempos, afinal, como um personagem diz: “Algumas pessoas sendo mortas por um cara com uma faca, não é nada demais para os padrões atuais” – claro que na vida real seria; mas aqui estamos falando da ficção, e na ficção já estamos bem acostumados -. Então, Michael já observou tudo o que  precisava no primeiro filme, e agora ele quer ir direto ao ponto – pois o público de hoje quer ver sangue, que ver matança – ; e aí, quando ele chega nesse ponto, a sua força e brutalidade impressionam demais. Aquele plano seqüência dele atacando, além de homenagear a câmera curiosa de John Carpenter, e de se ser realizado com uma elegância ímpar, é, também, um artifício para ilustrar de forma objetiva como ele é perigoso ou letal, e furtivo, mesmo sem correr.

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