Resenha sobre o Filme ‘Dois Irmãos (2020)’ (PARTE FINAL)

Publicidade:

Mas… o nosso conceito de personagem favorito é o pai incompleto. É uma ideia fora da caixinha que diverte muito visualmente, graças a uma animação maravilhosa que combina uma parte de corpo inerte com a outra expressivamente perdida; expressividade essa que, dispensa palavras para indicar o que o personagem estaria pensando ou querendo falar – ok, às vezes os outros personagens traduzem para o público o que ele estaria querendo comunicar, mas isso é perdoável por que o filme precisava alcançar a molecada também, né. E além disso que falamos, esse conceito é sublime, também, por casar perfeitamente com as necessidades da trama, se encaixar nas lógicas internas da proposta e servir com perfeição para comunicar as mensagens do filme; o pai está ali mas ao mesmo tempo não está, o que serve como um ótimo motor para trama; a emergência derivada dessa magia também funciona muito para esquentar o enredo; e o contato restrito existe que os filhos exercitem a criatividade para se comunicarem, e ainda faz com eles aprendam a valorizar as pequenas coisas – a cena em que eles reagem juntos a uma certa música fez os meus olhos suarem litros -.

Falando nisso, chegamos no que ‘Dois Irmãos’ têm de mais especial: uma jornada tão envolvente e deliciosa de acompanhar quanto genuinamente emocionante. É engraçado? É! É bem humorado? Com certeza! Talvez não seja hilário para se escangalharmos de rir, não que precisasse ser, até porque nem é o que o filme pretende. Mas, ao nosso ver, a intenção, mesmo, desse projeto é oferecer uma aventura leve e acessível de aprendizado para nós assistirmos com aquele sorrisinho constante no rosto. E, como costuma ser o padrão da Pixar, é tudo construído de um jeito que tanto a gurizada nanica, quanto a marmanjada velha, se entusiasmem sem subestimar a inteligência desta última. Apesar das pequenas fragilidades que mencionamos, a trama é lindamente bem construída, pensada em detalhes. Achamos “chupetinha” como roteiro se desenha bem para fazer a tal jornada necessária para o desenvolvimento desses personagens – é como se eles estivessem esperando por esse momento para destravarem as catracas emperradas de suas vidas e personalidades.

Publicidade:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *