Resenha sobre o Filme de Animação: ‘Dois Irmãos (2020)’ (PARTE 2)

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Então vamos lá, falar desses “tais” valores, né. Sempre que nos deparamos com obras fantásticas desse jeito, uma coisa que nos chama atenção logo de cara é, a necessidade de se usar personagens não humanos para contar a história; a trama consegue justificar o uso da fábula? Ou, é um uso gratuito, que está servindo apenas como exibicionismo técnico para construir mundos mágicos, lindos e maravilhoso? Bom… vamos pensar! Digamos que uma das marcas do estúdio é, imaginar histórias a partir de uma pergunta simples: “E se, personagens fantasiosos fossem como os humanos?” Podem conferir! Várias premissas do estúdio partem desse pressuposto – brinquedos, insetos, carros, monstros, emoções e, no caso desse filme, criaturas místicas; e se eles fossem como os humanos? – . É uma pergunta que o estúdio não tem falhado em responder, e dessa vez não foi diferente. A princípio, até pensamos que, pela primeira vez, fossem cair na cilada de usar um “E se…” por mero capricho visual, ou invencionice gratuita mas, felizmente, nos enganamos. As criaturas mágicas e suas peculiaridades não apenas são bem inseridas aqui na trama, como, esta depende totalmente da fábula para existir – história que, definitivamente, não teria como ser contada com humanos em condições normais; nem por isso cremos que a construção desse universo tenha escapado de fragilidades.

A título de exemplo: há, explicação de que os seres mitológicos passaram a usar tecnologia em vez de mágica, porquê esta seria mais fácil, é um atalho tremendamente preguiçoso para o roteiro chegar onde precisa; mas, esse é só o pontapé inicial para a trama se desenrolar. O probleminha maior, ao nosso ver, é quando esses atalhos costumam aparecer pontualmente durante o desenvolvimento da trama. O que estamos querendo dizer… é de um certo personagem que se dispõe a ajudar sem motivo aqui, outro que se dispõe a atrapalhar sem motivo ali; são encontros, ajudas e atrapalhadas que às vezes chegam em momentos bem convenientes narrativamente, mas artificiais dramaticamente. Elas servem para o propósito de contar a história, no entanto, elas não são tão valiosas assim para sedimentação da história. Mas, esse tipo de escorregada não costuma gerar grandes problemas, pois, além de serem pontuais, como já falamos, e não caracterizarem o projeto por se tratar de uma animação. Nós naturalmente tendemos a apreciar com uma vista mais grossa, costumamos a deixar passar mais esse tipo de coisa- olha que não seríamos tão benevolentes diante de um live-action, cuja a presença de humanos impõem maiores limites a nossa suspensão da descrença, e exige que a narrativa estabeleça melhor a presença de exageros, absurdos e coincidências.

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