Resenha sobre o Filme ‘As Branquelas’ (PARTE 2)

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Pois, bem! Depois de introduzir a dupla de policiais protagonistas em uma operação à paisana, disfarçados de um jeito que grita artificialidade, e um comportamento que parece querer mais chamar atenção dos supostos bandidos do que enganá-los, o que vai contra o propósito de estarem à paisana. A operação obviamente fracassa, o que nos leva a presumir que esses dois se tratariam de recrutas inexperientes e atrapalhados, uma presunção normal para achar essa situação minimamente  verossímil, mas, com a revelação de que os dois são agentes do FBI agindo como adolescentes do “Superbad (2007)”, nós logo percebemos que verosimilhança, definitivamente, não é algo pretendido por esse filme. Só que, nem isso é capaz de nos preparar para o que vem a seguir, já que o filme passa com tudo pela barreira da verosimilhança e atropela o conceito de suspensão da descrença com violência quando os policiais aparecem travestidos, e os primeiros personagens se convencem de que eles seriam mesmo as irmãs patricinhas. Se aí o espectador conseguir manter o elo com filme, ok! Vai conseguir seguir em frente, e pode se divertir com as pataquadas do segundo ato. Se não conseguir, achamos que acabou o filme para essa pessoa.

Foi o que aconteceu conosco naquela primeira assistida, desta vez, felizmente, talvez por já estarmos preparados, talvez por ter visto do jeito certo, talvez pelos dois, conseguimos passar; sabemos, é só o primeiro “E se…” que o filme propõe, sem o qual a história não viria, mas nem por isso é fácil, não, tá?!

Cada vez que a dupla aparece, é um socão do filme na cara da cumplicidade que estabelece com o espectador. E nem é só a questão do conceito que agride a nossa suspensão da descrença, sabe, é, sobretudo, o visual mesmo: a aparência dos caras transformados nas loiras é terrivelmente dura, plástica, inexpressiva e falsa; a maquiagem não acertou nem nas lentes de contato e acabou deixando os cabra com as pupilas pequeninas, e um olhar de besta fera com fome. Para nós, caiu com força no vale da estranheza – e, olha que somo bem tolerantes em relação à efeitos visuais e maquiagens mais ou menos.

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