Resenha sobre o Filme ‘Ancaconda (1997)’ (PARTE FINAL)

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Além de que, a tensão é mínima porque conseguimos prever cada paço que o filme vai dar. E todos os personagens, desde a proposta escrita pelo roteiro até a composição do elenco, não saem do básico e são definidos com poucas palavras: a mocinha certinha (Jennifer Lopez); o interesse romântico mosca morta (Eric Stoltz); o amigo afro-americano (Ice Cube); a fogosa (Kari Wuhrer); o corrompido (Owen Wilson) e o esnobe (Jonathan Hyde); ok, no caso deste último, dá para notar umas amostras a mais de camadas – nada que o roteiro dê muito destaque, mas, a singela evolução deste personagem diante da crise ao menos ameaçou alguma surpresa, deixando um pequeno ar de incógnita sobre o destino no personagem. Já o vilão humano, é definido pela canastrice de seu interprete e pelas enrascadas que ele provoca, porque, embora notemos a construção pesada de personagem, não dá para dizer que seja profunda; John Voight, indicado quatro vezes (Amargo Regresso, 1978; Perdidos na Noite, 1969); Expresso para o Inferno, 1985; Ali, 2001) e vencedor de uma delas ao Oscar (Amargo Regresso, 1978), também conhecido como papai da Angelina Jolie, vai ser para sempre mortalizado como o cara vomitado pela cobra.

E aí, pegando esse roteiro na mão, parece que ele achou tão absurdo o conceito de sucuris predadoras insaciáveis de humanos, que decidiu compor o seu personagem com o exagero a altura – ele deve ter pensado: “Esse bicho é qualquer coisa menos uma sucuri, então vou fazer qualquer coisa menos um ser humano. A canastrice chega escorrer do rosto do ator com aquele sorrisinho cínico para baixo, que mais parece uma imitação caricata do Robert De Niro; é tão exagerado, que quando o personagem entra em cena não pensamos “se” ele vai fazer maldades mas “quando”, e é mais um fator que contribui para tal previsibilidade do filme. Bom, o lado positivo, é que ele compôs uma figura impiedosa e detestável suficiente para que ao menos possamos torcer contra, ou talvez nem tanto, já que os mocinhos são tão sem sal que nos arriscamos fortemente a torcer para o vilão, ou para os vilões no caso.

Mas, assim, apesar de ‘Anaconda’ ter uma trama que “não cheira mas também não fede”, e personagens típicos de produções mequetrefes de baixo orçamento, têm um valor técnico elogiável.

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