Não Veja: ‘O Velocipastor (2018)’ (PARTE 2)

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[…] Mas voltando ao assunto… nosso querido padre reage com aquele clássico “Nãooooooo” esticado – porque senão esticar o “nãoooooo” não sofreu o bastante. E agora, um padre mais experiente e sábio conforta o moço, dizendo: ” Isso é o que os pais fazem: eles morrem” – ok, retiramos o sábio. Mas preste atenção que agora a linguagem começa a ficar à frente da sofisticação para ressaltar o sofrimento e o poder do conselho; na cena tem um corte “imperceptível” que só percebemos porque temos olhos de águia -até entendemos esse corte, porque é muito difícil segurar toda essa emoção “sem cortes”, né – então, a cena fecha com um lindo zoom, com a imagem duplicada – porque o filme quer dizer que sempre atrás de você existe você mesmo guiando os seus passos; é uma linguagem cinematográfica muito profunda.Bom, como o padre velho mandou o jovem reencontrar sua fé, ele sai dirigindo até chegar na china, quer dizer, em um bosque da cidade que o filme chama de China – “bem discretamente”, para não tirar nossa atenção – e acreditamos porque, afinal, a força desse filme não tá no valor de produção, mas nas edificantes mensagens que ele traz, é sempre importante ressaltar.

Mas, agora o bagulho começa a ficar tenso: está lá o padre pimpão falando verdades no bosque quando, de repente, um índio ninja dá uma flechada em uma chinesa fantasiada de vietnamita que cai na frente dele; ela entrega um artefato para ele… e morre. Aí, quando o índio ninja aparece para lhe meter uma fechada no quengo também, ele corta a mão no tal artefato, dá uma estrebuchada para trás e apaga; corta para dias depois, e ele acorda já na paróquia após um pesadelo; o padre velho fala umas groselha, dá um abraço constrangedor no padre jovem que fica lá repetindo o que tá com fome, mas, em vez de comer a comida que está na sua frente, sai na rua tropicando; aí esbarra em um mendigo, depois em uma prostituta (Alyssa Kempinski) que chupa um pirulito para fazer menção ao seu exercício profissional – veja só como o filme está todo concatenado – então, a profissional da quicação vai lá falar com um cafetão (Fernando Pacheco de Castro) que já recebe ela com um esporro e um bofetão, além de um falamento de patota qualquer, que tanto faz – o filme não perde tempo para deixar claro toda a maldade dele.

CONTINUA…

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