Filmes Estranhos: ‘HOST’ (PARTE FINAL)

[…] A direção sabe explorar o silêncio e a coreografia de cena restrita para criar um ambiente pronto para acontecer algo assustador; sabe conduzir muito bem o pavor e o choque das personagens para transferir essa tensão para nós; usa um leque de truques que incrementam o clima tenebroso seja através de ações em segundo plano seja quando as personagens levam a câmera para explorar um cômodo, e assim, com a câmera em primeira pessoa nós assumimos a dianteira, é como se as  personagens estivessem nos empurrando e nos dizendo: “vai na frente eu não quero ir não” – e  nós não temos escolha. E a direção ainda é hábil ao dar provocadas pontuais no espectador usando blitz do aplicativo, filtros, background com vídeo se repetindo e outros recursos, e, claro que não poderia deixar de fora, tem os sustos que funcionam. Se o lance é esse terror físico de baques constantes, é preciso admitir que o filme entrega muito bem o que se compromete a entregar.

Só de usar barulhos diegéticos, ou seja, barulhos que existem dentro da história e que as personagens podem ouvir, sem aquela trilha intrusiva fazendo “Bam! Bam! Bam!”, e valorizar planos mais longos, o filme já merece muitos elogios. E em suma, a direção sabe encontrar os momentos propícios para encaixar os acontecimentos súbitos e inesperados para nos pegar de surpresa mesmo e dar aquele baita susto que faz o coração quase sair pela boca. Só lamentamos que não demore para as manifestações sobrenaturais começaram a ficar grandes demais sem deixar dúvidas se são sobrenaturais ou se tem alguém aprontando, e depois acabam caindo no exagero rápido demais chegando a precisar, em certo momento, que os personagens andem para lá e para cá de forma artificial com o computador a tiracolo para que o terror possa continuar acontecendo, o que é uma pena já que o próprio terror poderia se beneficiar de uma dúvida inicial e uma crescente mais gradual – mas, esse é mais um sintoma daquela pressa que adiantamos: o filme precisa acontecer rapidinho porque sim, e é isso aí. Pelo que vimos aqui, não cremos que seja por falta de ideia ou capacidade dos realizadores para criar uma maior substância.

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