Filmes Estranhos: ‘HOST’ (PARTE 2)

Estudiosos de cinema dizem que os filmes costumam ser um registro histórico da época em que foram produzidos, e certamente ainda vão vir muitos filmes sobre esse momento em que estamos vivendo agora. E esse é um exemplar curioso de gênero, que pode até garantir o seu espacinho como um dos precursores refletindo esse momento, não que se aprofunde muito no assunto, porque, como já demos a entender, não se aprofunda em nada sério demais, mas ao menos incorpora divertidamente algumas características desse contexto. Pois, nesse tempo em que foi necessário nos trancarmos em casa – alguns já desistiram mas nós continuamos presos – , a falta do que fazer nos afetou tanto que tivemos que desenvolver novos hábitos e atividades para ocupar o tempo e afastar a ansiedade; então, quando os nossos heróis decidem fazer uma sessão espírita online, nós facilmente entendemos o sentimento: estão cavando qualquer coisa que tire eles da rotina.

E foi com muita satisfação que nos deparamos com uma introdução muito bem realizada em sua tentativa de preservar uma fidedignidade, algo essencial para que consigamos se identificar e embarcar na proposta, afinal de contas, está pegando um momento bem realista da nossa atualidade. Não sabemos se por marketing ou se foi real mesmo, mas dizem que o filme foi conduzido todo a distância, e, bom… se foi o caso… parabéns! Porque, parece tudo bem alinhadinho dentro da proposta: as moças e o rapaz, além de bons de trampo, estão muito bem ensaiados para parecerem íntimos e fazerem com que os diálogos e as piadas internas fluam com naturalidade sem exposições desnecessárias: o filme começa com eles conversando sobre a parada que vão fazer, mas não entra em detalhes, não fica dando “b a bá” para nós; o roteiro entende que uma já sabe do que a outra está falando e evita ficar desenhando para o público entender – deixa rolar e as coisas vão acontecendo e nós conseguiremos captar – ; e as conversas, até quando ela se atropelam, soam realistas sem ficar destrambelhado, como geralmente acontece em uma chamada do Zoom com tanta gente. É uma conversa meio naturalista mas cada personagem ganha seu espacinho para falar o seu textinho e tal sem ficar muito artificial nem ficar atropelado, fica bem equilibradinho.

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