Filmes Estranhos: ‘Devorar’ (PARTE FINAL)

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[…] Além de que, essas novas questões se ligam com muita naturalidade no tema base: o detalhe “…tananan” do seu passado revelado por uma fala acertadamente despretensiosa da moça, o que reforça a ideia de que ela teria dificuldade para perceber a gravidade das coisas; explica porque ela se tornaria uma pessoa tão insegura que busca aprovação a todo o custo; em um certo ponto da trama, fica claro que ela sofreu e continua sofrendo muita rejeição… ela sabe que não tem culpa mas também entende o motivo de a rejeitarem. Então, diante desse impasse mental, ela reprimiu sentimentos de mágoa e frustração, varreu tudo para debaixo do tapete e se forçou a acreditar que está tudo bem com a família e já foi tudo resolvido, o problema é que não está, porque: primeiro, isso criou marcas em sua personalidade fazendo com que sua passividade irrestrita fizesse dela um alvo fácil do modelo de subserviência total que o marido parece achar ideal, mas que não parece funcionar tão bem para ela que se sente solitária, desprezada, inferior, insuficiente; e segundo, porque, ao bater um vento forte, as frustrações jogadas para debaixo do tapete começam a vir à tona.

Aqui, no caso do filme, a gravidez e as mudanças hormonais fizeram sua mente reagir através de uma compulsão, que requer um intensivo acompanhamento psicológico e psiquiátrico já que há um risco real de morte na parada, além de que, ela ainda está grávida; assim, achamos que o que pertine a protagonista está tudo muito bem encaixado, sabe?! A reflexão sobre a psique dela nos parece muito profunda e valiosa. Até por isso, para nós, a caracterização sem carisma da protagonista (Haley Bennett), como interpretação super compatível da atriz, além de não ser um problema, ainda cremos ser à ideal para o filme dizer o que quer dizer, o que talvez seja um problema é que a antipatia é generalizada já que o filme está atolado de personagens aborrecidos. E por quê que isso seria um problema? É porque, a forma como os demais personagens principais são retratados, além de jogar na nossa cara uma obviedade que parece subestimar a nossa inteligência – como mencionamos – também planta um  antagonismo desnecessário que gera uma antipatia às vezes meio que precoce.

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