Filmes Estranhos: ‘Devorar’ (PARTE 2)

Publicidade:

Agora, como as coisas acontecem… é que nos pareceram meio questionáveis às vezes. Não sabemos se precisar-se por opção ou por falta de sensibilidade, à direção, do também roteirista, Carlo Mirabella-Davis, retrata os personagens com suave frescor de esquisitice, característica essa que soou despropositada, tipo: se a direção precisa que os sogros da moça demonstrem certo desprezo por ela, isso acontece de um jeito muito óbvio; é um tipo de falta de sutileza que não costuma incomodar tanto em produções mais escancaradamente fantasiosas e/ou exageradas, como no gênero de terror, ficção científica, e até um suspense mesmo, porém, como o suspense aqui fica em segundo plano, meio que só na aura do projeto, que realmente se dedica a ser um drama mais reflexivo, não cremos que essa falta de sutileza combine tanto; assim como achamos que causa um arranhãozinho na credibilidade a presença de personagens com atitudes meio esdrúxulas, como por exemplo: as pessoas indiscretas na festa ou aquele amigo do marido querendo abraço. Não é algo tão grande, mas para um filme que tenta ser bem fidedigno, é algo que se destaca demais.

E esse segundo personagem do abraço mesmo, seja lá o que o filme quer dizer com isso, porque, claro, está transmitindo alguma mensagem sobre carência jogada aí. É uma mensagem que não interessa ao que está sendo contado em foco, não agrega, não muda o rumo da história, não colabora, além de que, como dissemos, não combina com o tom mais sério e realista que a própria direção parece prezar. Porém, fora um leve estranhamento, havemos de convir que essas coisas não estragam um estudo de personagem bacana que o filme quer propor, que surge a partir do comportamento excêntrico de devoramento de coisa da protagonista – sim, falamos a partir, porque, embora essa temática esteja bem presente, ela não é o foco da narrativa, não é onde narrativa quer chegar, é, sobretudo, um meio para que o filme consiga levantar as discussões que almeja, o que talvez frustre alguns espectadores que desenvolvam uma expectativa errada ao longo da experiência, talvez eles sintam falta de uma maior escalada dessa temática base de comilância – o que não foi o nosso caso!

Publicidade:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *