Filmes Estranhos: ‘As Ruínas’ (PARTE 3)

Gostamos muito das dúvidas que o filme deixa no ar sem fazer alarde; dúvida que se estende ao personagem do turista alemão (Joe Anderson) que se une ao grupo principal de forma suspeita nos deixando com uma pulga atrás da orelha, situação que se mantém até boa parte do desenvolvimento; e dúvida costuma ser um bom ingrediente para nos manter atento. Só que é assim, não é por acertar ao embaralhar as personalidades e dar um pouco mais de profundidade do que os filmes do gênero costumam fazer, e as ruínas se exime de outros erros padrões também, tá?! Para sermos justos, na maior parte das vezes o roteiro dá atitudes críveis aos personagens; eles têm boas ideias e boas atitudes que fazem a trama andar e até mesmo certas atitudes estúpidas podem cumprir esse serviço, no pânico é normal acontecer atitudes estúpidas. Porém, singelos momentos o filme ultrapassa o limite da estupidez e acaba despertando essa inverossimilhança que nos desconecta temporariamente; tem também alguns furos na lógica interna, como a existência daquela ruína amostra em um lugar tão próximo da civilização e com acesso tão facilitado sem que ninguém tenha descoberto antes. “A, mas não está no mapa!” Faz nos rir! O negócio está a apenas 17 km da cidade. Tá bom que os arqueólogos podem ter acabado de abrir o troço, mas o meu ponto é: o acesso é muito fácil, e arqueólogo já teriam aberto antes. Mas reconheçemos que só há chatice, mas uma chatice que percebemos enquanto estamos assistindo e dá aquela desconectadinha, mas é uma chatice.

Agora, dentro dos aspectos negativos o que realmente nos incomoda é o exagero adotado pelo roteiro para grande ameaça do projeto; o conceito é único, as situações são únicas, os horrores físicos e psicológicos que essa ameaça propulsiona são únicos, mas… precisava ter ido tão além, chegando ao ponto em que ameaça parece ter malícia e discernimento humano, para que tanto? Bastava um instinto animal, uma postura indiferente. E quando o filme exagera, então, nas capacidades que esse mal pode fazer… aí,  meu Deus!

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