Filmes Estranhos: ‘As Ruínas’ (PARTE 2)

[…] Entendemos perfeitamente que o tempo gasto tenha sido usado para apresentar os personagens, aprofundá-los além daquele básico costumeiro e para nos familiarizar com eles para que aceitemos eles como os nossos representantes em tela. Só que, além das conversas preliminares serem um tico mais esticadas do que o necessário com situações introdutórias que não oferecem muita novidade, e nós rapidamente conseguimos pescar onde o roteiro (Scott B. Smith) quer chegar, ainda tem trechinhos sem muita serventia, como aquele que aparece umas crianças no meio da moita – baita informação mais… dane-se – , e pode parecer pouco mas um minutinho a menos daqui, com outro a menos dali, com menos outros acolá, serviria para deixar esse “lancinho mais palatável”, com um ritmo mais fluído sem essa sensação de esticamento, até porque os personagens não são tão carismáticos, perder tempo com eles interagindo chatamente mais afasta do que aproxima.

No entanto, também não vamos ter interpretações precipitadas, o fato de eles não serem carismáticos não quer dizer que eles sejam personagens ruins – o que, ainda assim, de fato é algo que só se estabelece ao longo do desenvolvimento, ou seja, ainda assim se esse início fosse encurtado não cremos que comprometeria o desenvolvimento desses personagens, mas sim, as personalidades são um diferencial desse projeto; não tem um desenvolvimento que “minha nossa!”, mas, enquanto o gênero adora usar personagens padrões que só servem para cumprir certas funções restritas, ‘As Ruínas’ já brincar de embaralhar as cartas. A mocinha meiguinha (Jena Malone) não tem nada de casta e certinha; bebe demais, dá em cima de um recém conhecido na ausência do namorado e não assume o papel ativo que poderíamos esperar no seu tipo de personagem – esse papel mais ativo acaba sendo distribuído entre os demais personagens que também ganham novos contornos. A (Laura Ramsey) que assumiria a vaga da safada, é na verdade a que assumi bastante a dianteira e assume a maior carga de emotividade do filme – e bota emotividade nisso. Quanto aquele (Jonathan Tucker) que teria o papel do mocinho, ele é tão certinho que chega a ser errado de tão frio e irracional, e o filme se sai muito bem ao deixar impreciso o caráter do sujeito – ele é do “bem” ou é do “mal”? Curiosamente para esse tipo de produção ele não é nenhum dos dois… ele é humano! Meio arrogante, pouco simpático, a quem o roteiro faz uma crítica velada pela autoimportância que ele se dá por ser um americano perdido o México, mas, por outro lado, suas decisões parecem realmente sensatas, talvez até sensatas demais.

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